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A mostrar mensagens de fevereiro, 2013

The tyranny of evil men

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  Ouvi há pouco na televisão que o Cinema Londres, na Avenida de Roma, em Lisboa, fechou portas. Mais uma sala clássica de cinema da cidade que encerra, por insustentbilidade financeira. Um panorama já pobre vai emagrecendo com os efeitos da crise. E, note-se, a programação do Londres nem era particularmente alternativa ou para públicos menos amplos, oferecia títulos de cinema dito comercial e as estreias do momento. Infelizmente, não consigo deixar de pensar qual será o próximo a cair, quando recordo as sala semi-vazias em sessões de fim-de-semana noutros locais.    As pessoas ouvidas na peça lamentam a redução da oferta, numa zona da cidade em que uma população mais envelhecida e com menor mobilidade vai ficar sem respostas culturais perto de casa, agravando o seu isolamento e reduzindo acesso à cultura. Todos recordam o que por lá foram vendo ao longo dos anos, havendo cinema para todos os gostos - um Super-Homem, um Bergman, um dos nomeados dos óscares deste ano.   Não era dos síti...

Entretanto, no planeta Tea Party, na galáxia de Rand

O Congresso dos Estados Unidos aprovou finalmente a renovação da Lei sobre Violência contra as Mulheres ( Violence Against Women Act - VAWA,  aprovada inicialmente em 1994),   quinhentos dias depois da maioria republicana na Câmara dos Representanes ter deixado expirar a legislação. Ainda assim, 138 (sim, cento-e-trinta-e-oito!) republicanos conseguiram votar contra a iniciativa, tendo alguns reiterado que não se tratava apenas de uma divergência quanto ao conteúdo de algumas disposições e que votariam contra qualquer versão alternativa do projecto. E que poderosos argumentos se conseguem arregimentar contra legislação desta natureza? Ora aqui vai um exemplo:    " This is a feel-good measure that uses ‘Violence Against Women’ as an excuse to vastly expand a dizzying array of government grant programs, hamstring judges who are attempting to resolve and reconcile highly volatile relationships, add $1.8 billion to the nation’s debt and generally insinuate the federal government int...

Horas e locais

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Lições italianas - II

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Para além do caos final que resulta de um parlamento dividido e sem matemática coligatória, todo o rasto da campanha é francamente desolador, com destaque para o discurso e para o modelo eleitoral que ajudou a agravar o desfecho.   Quanto ao discurso, não poucas vezes resvalou para a agitação de fantasmas anti-europeus (começando por Beppe Grillo, que defende a saída da Itália do Euro) e anti-germânicos (trazendo-nos à memória o Berlusconi acossado em Estrasburgo a chamar guarda de campo de concentração a Martin Schulz). Mais do que abrir caminho para inovação, entricheirou as lideranças em buracos dos quais dificilmente podem sair para construir um governo minimamente aceitável.   Quanto ao processo eleitoral, tornando o cozinhado ainda mais explosivo, a experimentação eleitoral que procura inventar sistemas que produzam estabilidade acabou por oferecer um bónus à ingovernabilidade. Eis o resultado de procurar mexer no sistema eleitoral para resolver problemas que não foram causados p...

Lições italianas - I

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Os Italianos foram às urnas e a Europa regressou aos solavancos à montanha-russa financeira. Entre ilustrar o post com os homens do momento ou um gráfico com as desventuras da moeda única, hesitei entre qual traduziria melhor o espírito dos dias que correm. Duma Itália que entrou em meltdown político cujo desfecho ninguém se atreve a prever, retiremos pelo menos, se não lições, pelo menos algumas reflexões que podem ser úteis cá no burgo.   O grande derrotado da noite, Bersani não consegue ser o messias do Partido Democrático. A reflexão sobre o futuro político deve ser aqui a mais urgente e dura. Combinando duas décadas de evolução, realinhamento, reorganização e reinvenção da esquerda italiana, empurrando-a para o centro, tornando-a menos ideológica para a tornar mais elegível, o resultado foi uma vantagem de 0,4 por cento sobre Berlusconi numas eleições em que o eleitorado estava sedento de quem lhe rejeitasse a austeridade e se constituisse como alternativa séria. E se o Partido D...